Ordem da Bem-aventurada
Virgem Maria do Monte Carmelo
 

                                     
" A Virgem Maria enche, com sua presença,
         a história da Ordem nascida no Monte Carmelo." 
(Const. 54)
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      A Ordem do Carmelo teve sua origem no Monte Carmelo, na Palestina, e sua espiritualidade se alicerça sobre dois pilares de origem: Santo Elias (profeta) e a Bem Aventurada Virgem Maria, considerada pelos carmelitas como Mãe e Irmã. 

    Carmelo significa jardim, graça e fertilidade. A Bíblia o descreve com uma torrente, conhecida como a fonte de Elias, e uma vinha muito fértil. Na primavera florescem anêmonas, estrelas de Belém, margaridas, gotas de sangue, arbustos e plantas aromáticas, elementos que contribuem para a beleza que levou o Monte Carmelo a receber inúmeros elogios bíblicos.
     
  O profeta Elias aparece na Sagrada Escritura como um homem que caminha na presença de Deus. Ele combate, inflamado de zelo, pelo culto de adoração ao único e verdadeiro Deus. Zomba dos profetas de um deus falso e obtêm do Senhor,como sinal da veracidade de sua palavra, que seu holocausto seja inteiramente consumido. Faz a experiência do Deus vivo numa gruta solitária e conhece que o Senhor não está na tempestade ou no vento, mas numa brisa suave...

             Os e as carmelitas também são pessoas dessa viva experiência de Deus que se manifesta suavemente no cotidiano de suas vidas. E dessa experiência comunicam aos outros as riquezas encontradas.

             Já nos primeiros séculos, os carmelitas construiram um oratório dedicado à Mãe de Deus e a escolheram como sua padroeira e titular. Consideravam-na como mãe e modelo de quem guarda a Palavra de Deus, meditando dia e noite na Lei do Senhor. Dessa experiência de amizade e comunhão com a Ssma. Virgem Maria, hauriram uma mais profunda e real comunhão com o Senhor. Por isso foram chamados: "Irmãos de Santa Maria do Monte Carmelo". E a Virgem não cessou de demonstrar sua afeição por esses frades chamados seus Irmãos, e concedeu-lhes um sinal de sua especial proteção e amor: o escapulário.

           O escapulário, a princípio, era um avental usado pelos monges durante o trabalho, mas com o tempo ele foi se tornando parte integrante do hábito. Chamava-se escapulário porque pousava sobre as 'escápulas' (latim:scapula= ombros).

         Entre os anos de 1245 a 1265, a Ordem recém chegada à Europa, expulsa do Monte Carmelo, atravessa um período crítico. Nessa época S. Simão Stock era o prior geral da Ordem e, segundo nos conta a tradição, enquanto ele rezava continuamente a Maria e pedia-lhe um sinal de sua materna proteção, ela lhe apareceu e lhe entregou o escapulário como sinal de sua proteção para aqueles que o usassem.

        Hoje o escapulário é um sacramental muito conhecido. Porém é preciso saber que ele não é um sinal 'mágico' de proteção, nem tampouco um amuleto. Ele é, para quem o usa, uma contínua lembrança de sua filiação mariana, e por conseguinte uma chamada a viver como Maria, na escuta da Palavra, na união a Cristo em seus mistérios tendo-O como o tudo de suas vidas.
 
     “No sinal do Escapulário se evidencia uma síntese eficaz de espiritualidade mariana, que alimenta a devoção dos crentes, fazendo-lhes sensíveis à presença amorosa da Virgem Mãe em suas vidas. O Escapulário é essencialmente um “hábito”. Quem o recebe se agrega ou associa em grau mais ou menos íntimo à Ordem do Carmelo, dedicada ao serviço da Virgem para o bem da Igreja. Quem veste o Escapulário é introduzido na terra do Carmelo, para que “coma de seus frutos e bens”, e experimenta a presença doce e materna de Maria, no compromisso cotidiano de “revestir-se de Cristo” e de manifestá-lo vivo em si para o bem da Igreja e de toda humanidade.” João Paulo II

 soreth2-1185896710[1]    Por volta do ano1452, por obra do B. Fr. João Soreth, foi instituída a Ordem das Monjas Carmelitas, e posteriormente em 1452 a Ordem Carmelita Secular, chamada na época de Ordem Terceira, constituída por leigos que se comprometem a viver o carisma carmelitano em suas famílias, trabalho e meios de convivência.

No séc. XIV, a Igreja como um todo vivia de uma forma distante do Evangelho, e muitos de seus membros ansiavam por uma reforma. Surgiram então, além dos movimentos da reforma protestante, diversos movimentos de reformas, especialmente na vida consagrada, que não rompendo com a Igreja católica, deram à mesma, nova vida e um impulso renovado de viver o Evangelho com todas as suas exigências. Dentre essas pessoas encontra-se Santa Teresa de Jesus.

Carmelita espanhola,vivia já há muitos anos no Carmelo “da Encarnação” em àvila. Nesse mosteiro haviam monjas que viviam coerentemente sua consagração, mas a grande maioria seguia uma vida ‘regalada’ e além disso havia naquele grande mosteiro uma diferença enorme entre as monjas provenientes de família rica e as pobres, junte-se a isso os casos de monjas sem vocação que iam para o mosteiro ou forçadas pelos pais ou por não terem outra opção na vida. A própria Teresa passou algum tempo vivendo mediocremente, e quando recebeu do Senhor a graça de reconhecer a ‘perdição em que vivia’, decidiu procurar uma vida mais solitária, com mais tempo de oração e solidão. Mas ali, naquele mosteiro com tantas monjas (mais de 150), sendo obrigada a passar temporadas na casa de benfeitores, enfim, tendo muitas outras “regalias”, era impossível.

Em setembro de 1560, numa conversa informal  com uma amiga e duas sobrinhas, Teresa concebe, juntamente com elas, a possibilidade de fundar um mosteiro com poucas monjas e “encerramento” .

Depois de muitas dificuldades, contradições, revoltas por parte das monjas da “Encarnação”, e da Palavra de Jesus que lhe garantiu que o mosteiro seria fundado, Teresa inicia com 4 primeiras noviças, a vida de monja Carmelita Descalça, no mosteiro de São José, em Ávila, no ano de 1562.

Em S. José de Ávila se recolhem os princípios essenciais da tradição carmelitana e se unem outras intuições totalmente novas, para dar luz ao que futuramente seria uma das mais fecundas correntes de espiritualidade que alimentam a Igreja. Teresa muda seu nome, como sinal da vida nova que inicia. Já não se chamará Teresa de Cepeda e Ahumada, mas Teresa de Jesus. Suas companheiras também mudam seus nomes civis por outros religiosos. Entre elas não é importante a família de proveniência, já que todas se consideram iguais. Não se admitem ‘leigas’ nem criadas, nem tratamentos que indiquem a pertença a um estado superior, já que se busca a vivencia de uma fraternidade intensa e simples, e acrescentará que todas, independentemente  do cargo que ocupam, tomarão parte nos serviços necessários para o sustento da casa. (História do Carmelo Teresiano, Pedro Ortega) 

teresa_joo[1]Teresa, depois de superadas as muitas dificuldades, e finalmente ter conseguido permanecer no mosteiro como tanto desejava, recebe o encargo de fundar outros mosteiros, além de dar inicio ao ramo masculino dessa nova forma de vida, porém para eles, com alguns matizes diferentes.

Encontrou, providencialmente, a pessoa de Frei João de S. Matias, futuro São João da Cruz, para ser um dos primeiros frades Carmelitas Descalços, que daria inicio a esse novo estilo de vida baseado na entrega total e radical ao Senhor.

Desde então a Ordem Carmelita Descalça tem se espalhado pelo mundo, difundindo nos corações uma certeza: “Só Deus basta”.

 

 
        

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